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Blog de Ruy Balla
 


Rio

O ano era 1976, já havíamos morado em Recife por 4 anos e meu pai mais uma vez era transferido na sua empresa para cuidar de uma filial. Desta vez fomos morar no Rio de Janeiro.

Já conheciamos a cidade maravilhosa, os pontos turísticos, praias, e tudo mais. Meu pai trabalhou muitas vezes lá antes de irmos morar. E em algumas delas levou minha mãe e os dois filhos pentelhinhos junto.

Mas morar seria diferente, e lá vamos nós, Cristo Redentor braços abertos sob a Guanabara nos esperando. Os primeiros tempos ficamos no Hotel Nacional , aquele prédio redondo em São Conrado (se não me engano). Muito doido, morar num hotel, os funcionários conheciam a gente, mas não dava pra ficar sem uma casa de verdade. Vamos procurar onde morar, claro.

O bairro escolhido foi a Tijuca, tradicional, alegre, gostoso. A rua foi a Professor Gabiso, perto de um clube que acredito ser o Tijuca Tênis. Tudo parecia estar certo.

Só que deixamos 4 anos de amizades, de alegrias, de uma vida muito legal em Pernambuco. Foi duro, pois eu e meu irmão éramos crianças ainda, 11, 12 anos...

Era mais um desafio, e precisavamos ir em frente, não tinha outro jeito.

O Colégio que fomos estudar era bacana, tradicional, Colégio Guanabara, bem perto de casa. Começa a adaptação, novos colegas, professores, estilo de tudo...mas fomos indo.

Entramos para a equipe de futebol da escola, fomos conquistando a galera, ai as coisas foram mudando.

Na nossa rua a vizinhança era show de bola. Garotos e garotas muito legais, fomos nos enturmando, aprendendo, convivendo. Não lembro o nome de ninguém de lá, mas foram marcantes. Principalemnte uma garota mais velha (tinha uns 15), que era a preferida da molecada. Ela era espertíssima, dava nó em todo mundo e deixava todos de boca aberta, em todos os sentidos. Nos bailinhos da rua a galera fazia fila pra dançar lenta com ela. Muito engraçado! Aqueles frangotes todos esperando para dançar com a garota mais velha...

Perto lá de casa o Maracanã, fomos assistir jogos memoráveis no então maior do mundo. Meu irmão vascaíno que já era , delirava a cada partida da equipe cruzmaltina. Na verdade qualquer jogo na época valia a pena. Lembro bem de um Brasil e Colômbia, 6 a 1 para nós, mas esse jogo vale uma outra história a parte.

Meu pai na época comprou um disco que marcou minha vida de maneira contundente: "Songs in the Key of life", do mestre Stevie Wonder.

Era um álbum duplo, mais um compacto (meu Deus!), que valia cada faixa, incluindo o mega sucesso da época: "Isn't she lovely".

Foi a trilha sonora minha e de meu irmão por muito tempo, pelo menos naquele ano.

Nosso primeiro cachorro também estava lá, o querido Faruk, um Collie (raça da Lassie do cinema) sensacional, amigo, carinhoso, lindo.

Meus pais nos levavam em vários lugares sempre, mas meu tio Ruy e sua esposa Graça também moravam no Rio e nos levavam para Grumari, lá brincávamos de pegar onda, curtiamos demais. Na Quinta, São Conrado, e por ai vai.

'Viramos' cariocas, já amava o Rio e a notícia ruim chegou: meu pai foi chamado de volta a matriz, precisavam dele para um cargo importante em São Paulo. OK, a posição de meu Pai na emprersa era muito importante, precisavam dele mesmo, mas tudo bem afinal era pra São Paulo que voltaríamos, nossa cidade.

Mas e as amizades novamente, a escola, a vida que já estava adaptada, os bailinhos, passeios, a vida ??? Não teve jeito, até o pequeno Faruk tivemos que doar, não dava para ter um cachorro no nosso apartamento pequeno de São Paulo.

Foi tudo muito triste, difícil, afinal de contas éramos crianças e já haváimos passado por isso dolorosamente antes.

E assim se fez, volatmos pra cá e seguimos a vida.

Hoje eu vejo com saudades esse ano de 76 no Rio, mas graças a Deus tivemos aqueles momentos de nossas vidas por lá. Não há nada no mundo que pague a experiência que vivemos em todos os lugares que morei com minha família, tristezas, laços perdidos, coisas deixadas para trás, porém muita alegria, ótimas lembranças e um carinho enorme.

Só tenho que agradecer a Deus e a meus pais por termos vivido isso, são coisas assim que ensinam de certa forma a sermos pessoas, seres humanos, a crescermos, aprendermos. Foi muito bom.

Voltei algumas vezes ao Rio, não quis ir até a rua, ao colégio, não sei a emoção, mas um dia irei. É uma pena que a cidade mudou tanto, a violência, os problemas sociais. Mas não importa, nada vai tirar de minha memória as boas recordações.

Aliás preciso levar minha filha conhecer a cidade que acolheu seu pai um dia.

Valeu demais, histórias que nunca irei esquecer.

Obrigado Rio!



Escrito por Ruy Balla às 18h32
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