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Blog de Ruy Balla
 


Clássico

Era a primeira vez que meu irmão iria no Pacaembú. Logo num clássico, acredito que o primeiro Palmeiras e Corínthians da vida dele.

Tarde fria de inverno, anos 80, saimos de casa a pé, pois moravamos próximos. E conversando, aquele molecote querendo saber tudo, como era o estádio. Ele somente conhecia o Palestra Itália, desde pequenino eu já o levava para ver o jogos do Verdão.

No caminho os ônibus iam passando e os corinthianos xingavam aquela figurinha , acredite se quiser, mas futebol tem dessas coisas. Mão grudada na minha, camisa  do time, empolgação a mil.

Chegamos bem antes, estádio ainda enchendo. De repente a parte da torcida que ficamos na arquibancada ficou totalmente tomada. Quase nem tinhamos espaço para assistir ao jogo. Eu dava um jeitinho para aquele pequenino não perder nenhum lance, ele não parava de perguntar, de falar, comentar, parecia uma máquina: "Ruy o que é aquilo?", "Ruy por que a torcida do Palmeiras fica aqui?", "Ruy onde é o vestiário???", e por ai foi.

Pipoca, refri, amendoim, sorvete, ele topava tudo, mas não desgrudava os olhos de tudo ao seu redor. Ligado e hipnotizado pela magia daquele ambiente, que nem ele imaginava, seria parte fundamental de sua vida.

O jogo começa, aperto aqui, ali, e assim foi, ele xingava o árbitro, os adversários, e todo mundo ao redor ria muito. Ele era uma espécie de amuleto para os torcedores por onde passava. Um símbolo sem exageros mesmo.

O Palmeiras marcou, e na loucura de pulos, gritos, extravasando, perdi o moleque... Meu Deus, fiquei doido, olhei para cima, baixo, para um lado para o outro, e nada.

Quando comecei a me desesperar o pessoal de uns 6 degraus abaixo do nosso veio trazendo o moleque nos braços, como se fosse um troféu. Como um campeão que acabava de ganhar um título. E ele todo figura, sorriso em êxtase, feliz toda vida.

Nem consegui dar uma bronca, ele começou a explicar que foi descendo, comemorando. Mas imagina ele tinha uns 6 anos no máximo.

O jogo ficou em 1X1, ele perguntou muito mais, quis saber tudo, queria ser o último a sair do estádio. E assim foi, voltamos rindo, conversando, comentando. Aquela pequena mãozinha grudada na minha, segurando mais forte que na ida. Acho que ele apertava assim forte como que agradecendo pela tarde, pelo jogo, por tudo.

Aos poucos quando ele foi crescendo , fomos muitas vezes aos jogos juntos, mas a saudade da época que ele era pequenino é grande.

Sei que eu era seu ídolo, com o perdão da pretensão, sei o quanto ele me admirava, sei o quanto minha palavra valia para ele...

Perdermos nossos ídolos é o normal da vida, não perdermos um fã.

Ainda mais se ele for seu irmão mais novo.

Essa é uma das muitas histórias dele, que faz muita falta em minha vida.

Meus pais são guerreiros, muitas vezes nem acredito que estão de pé.

Nem mesmo eu, por tudo o que meu irmão significou para mim.

Não iremos assistir a mais nenhum Palmeiras e Corinthians juntos novamente, como vários Palmeiras e Vasco que deixei de assitir junto do Paulão, meu outro irmão,

Mas sei que eles estarão sempre em meu coração, em minha memória por tudo o que vivemos. Ali com sua mãozinha grudada na minha.

Sinto muito sua falta meu irmão querido, como já sentia pelo Paulo , mas continuo torcendo sempre pensando em você.

Tenho certeza que em muitos momentos você aparece para mim, de alguma maneira.

Para as duas estrelas mais brilhantes do céu, todo meu amor e saudade!

Que Deus os abençoe!



Escrito por Ruy Balla às 10h20
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